GOIáS FICA ENTRE OS 6 MELHORES NA OLIMPíADA BRASILEIRA DE QUíMICA
Fonte: Jornal Opção
Publicação: 30/10/2011
Coordenador estadual da Olimpíada fala sobre a representatividade desta conquista para o Estado e pede apoio das autoridades goianas para que o projeto ganhe corpo também na rede pública.

Goiás alcançou a 6ª melhor colocação na 15ª edição da Olimpíada Brasileira de Química, justamente quando se comemora o Ano Internacional da Química, em 2011. A primeira edição da competição ocorreu em 1989, tendo sido suspensa por sete anos. Em 1996 a Olimpíada retornou, devido iniciativa conjunta da UFC (Universidade Federal do Ceará), da UECE (Universidade Estadual do Ceará) e da Funcap (Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Em 2000, foi criada a coordenação goiana da competição, pelo o atual Presidente do Conselho Regional de Química XII Região, Wilson Botter Júnior. Dez anos depois, o Estado passa a conquistar as primeiras medalhas, adquirindo a partir daí reconhecimento nacional.

Participaram este ano do Programa Nacional das Olimpíadas de Química cerca de 200 mil alunos em todo o Brasil. O destaque alcançado por Goiás deve-se, entre outras premiações, a uma medalha de Ouro, conquistada em âmbito nacional, por Igor Franzoni Okuyama, de 17 anos, que cursa o 3° ano do Ensino Médio no Colégio Olimpo de Goiânia. Para falar sobre o assunto, o Jornal Opção entrevistou o diretor da ABQ-GO (Associação Brasileira de Química do Estado de Goiás), Coordenador da Olimpíada Brasileira de Química de Goiás e funcionário do IQ (Instituto de Química da Universidade Federal de Goiás), Renato Cândido da Silva, formado em Química pela UFG em 2008.

Não tem como inventar a roda no estudo. A roda já foi inventada, nós podemos aperfeiçoar. Por isso, para nós, não existe nada melhor do que um professor preparado, giz e quadro negro, e muita dedicação. Por isso, os 131 alunos do ensino médio do Olimpo passam a maior parte do tempo assistindo a aulas expositivas, ou estudando nas salas de estudo do colégio. A dedicação é tanta que alguns deles chegam às 7h e só vão embora às 23h.

Jornal Opção: Goiás ficou entre os seis melhores colocados, quais são os outros Estados?

Renato Cândido: Goiás teve uma participação muito boa na Olimpíada de Química e regularidade, o que é importante. Estamos numa crescente que começou no ano de 2010. Completam a lista Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro, Piauí e Bahia. Goiás teve quatro medalhas e 21 menções honrosas, ou seja, tivemos 25 alunos premiados, o que demonstra que mesmo que os alunos tenham dificuldades na área de ensino de ciências, podendo ocasionar o fracasso escolar, somos destaque também na área da química em âmbito nacional. Nosso medalhista de Ouro ficou em sexto lugar, entre quase 200 mil alunos que participaram do evento, além de ser o primeiro medalhista (bronze) de Goiás em 2010, no Programa Nacional de Química.

J.O.: Participam alunos de escolas estaduais (públicas)?

R.C.: A Olimpíada Brasileira de Química tem participação tanto de alunos da rede de ensino particular quanto da pública. É um projeto de extensão nas universidades que visa aproximar as instituições educacionais das universidades. A inscrição é feita no site: www.obqgoias.com.br

J.O.: Algum aluno goiano que recebeu medalha era da rede pública? (caso não, qual seu posicionamento sobre a questão?)

R.C.: Na Rede pública temos ainda pouca participação das escolas na Olimpíada Brasileira de Química. Teve um aluno, do Colégio Estadual Polivalente Vasco dos Reis, Marcus Vinícius Dionis, que foi o primeiro colocado da Olimpíada Brasileira de Química no Estado de Goiás, na Modalidade “A”, que envolve o 1°e o 2° ano do Ensino Médio. Ele foi Menção Honrosa na fase nacional da Olimpíada Brasileira de Química. São resultados importantes, pois mostram que temos alunos com potencial, não só na rede particular, mas também na rede pública. Pedimos o apoio das autoridades goianas para que o projeto ganhe corpo também na rede pública do Estado de Goiás.

J.O.: Onde acontecerão as seletivas internacionais?

R.C.: A fase Ibero-Americana acontecerá na Argentina e a fase Internacional nos Estados Unidos.

J.O.: Como se dá o processo da olimpíada?

R.C.: As Olimpíadas de Química são organizadas no Brasil da seguinte maneira: temos a fase local, quando é feita uma seleção dos alunos em cada unidade escolar. Posteriormente, temos a fase estadual, onde é feita a seleção de 40 alunos de cada Estado para participar da fase nacional das Olimpíadas de Química. Os melhores classificados fazem um curso de aperfeiçoamento na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) para representar o Brasil na Fase Ibero-Americana e Internacional.

J.O.: Qual (quais) o principal objetivo da olimpíada?

R.C.: Manter as competições educacionais nacionais e promover o acesso às olimpíadas internacionais. Contribuir, com qualidade, para o desenvolvimento sócio-econômico do país, mediante a identificação de jovens talentosos. Desenvolver metodologias e práticas inovadoras capazes de potencializar suas habilidades, competências e capacidade criativa e, ainda, estimular e facilitar seu acesso aos principais centros acadêmicos de química onde serão capacitados para a atividade profissional e para o exercício pleno da cidadania.

J.O.: Por ser o ano Internacional da Química, o que diferencia em importância (relevância) a edição deste ano?

R.C.: O Ano de 2011 é o ano "todo especial" para área de conhecimento em Química. Esta homenagem foi conferida pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura) e pela IUPAC (União Internacional de Química Pura e Aplicada), dando importância para a química diante da humanidade, diante dos feitos e da importância da ciência para o desenvolvimento da sociedade. Mas é necessário vincular a química pela ética dos seres humanos, contribuindo de forma positiva.

J.O.: Em sua opinião, o Estado tem carência de especialistas nesta área? Por quê? O que Goiás tem a ganhar com o desenvolvimento de estudos na área de Química?

R.C.: A partir do crescimento e desenvolvimento da área de ensino de ciências, teremos menores problemas em relação à possibilidade de acontecer fracasso escolar. Teremos também mais profissionais com capacidade de contribuir na formação dos nossos alunos, principalmente tratando-se do ensino de Química. Em relação à área tecnológica, são necessárias novas tecnologias químicas para que as nossas empresas cresçam e possam contribuir para o desenvolvimento do Estado de Goiás.

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